Quando foi que eu me tornei uma adolescente rabugenta, suicida e masoquista? Quando foi que eu me transformei do orgulho da mamãe, pra ovelha negra da família?
Eu era uma criancinha meiga e simpática, com molas saltando daquilo que chamam de cabeça. Olhos escuros e brilhantes, como duas bolas de gude negras. Um sorriso acolhedor, logo abaixo de um pequeno nariz. E dois bracinhos pidões, que clamavam por um abraço.
Então, ei-me aqui. Uma adolescente facilmente confundida com uma criança, devido a sua baixa estatura. Exceto somente pelo fato de ter uma carinha de 25, como uma amiga costumava me dizer. Curvas como as de um violão, uma barriga lisa, de uma magreza surreal. Sim, de uma magreza surreal. Já não há mais meiguice, muito menos a ingenuidade infantil em sua personalidade. Simpatia talvez. Afinal, ainda me restam os bons costumes.
As molas grossas e castanhas, ainda saltam de seu interior craniano. Agora, emelecadas de creme, muito creme, ao longo de seu grande comprimento. Os olhos, ainda mais negros do que antes, cheio de tinturas pretas a sua volta, perderam o brilho e o deslumbramento. O sorriso, agora, é constante. Sim, eu gosto de sorrir. Na verdade, adoro sorrir. Faz-me sentir, como se eu ainda fosse aquela criancinha, meiga e gentil.
Seu rosto é minado de espinhas. De uma grossa camada de espinhas, e pó-base.
Hoje, sei que peguei o gosto pelo sofrimento. Torturo-me como se não houvesse mais nada a ser feito. Sei que há, mas talvez eu goste de meus pensamentos masoquistas.
Nunca havia sentido tamanha vontade de me flagelar.
Às vezes, chego a pensar seriamente em cortar meus pulsos. Arranhar-me (o que tenho feito constantemente) Gritar. Espernear. Como se ainda houvesse solução. Sei que há, mas prefiro a minha janela, que me mostra o céu.
Sei que essa necessidade que tenho de me auto-flagelar, só irá sanar, quando te vires novamente. Quando escutar a tua voz, sem interferências telefônicas. Sussurrante em meu ouvido, dizendo-me que o nosso amor é eterno.
Frequentemente pergunto-me ‘será que eu não tenho direito de viver um amor, mmmm, normal?!’ É! Normal!
Sabe, desfilar de mão dada. Sentar em um banco qualquer, e ficar ali a tarde inteira. Fazer juras de amor eterno, como se o mundo fosse acabar amanha. Mas acima de tudo, saber que se o mundo acabasse hoje, amanha ou daqui a 50 anos, você estaria do meu lado. Eu morreria feliz. Puxa vida! Ter o direito de ter pensamentos sórdidos. E dizer-te cada um deles ao pé do ouvido. Sabendo que eu não seria mal entendida, mas sim correspondida.
Normal ou não, eu te amo. Talvez o amor não tenha um parâmetro de normalidade. E se tiver, sim, nós somos anormais.
Anormal, normal. TANTO FAZ! Pois só você faz eu sentir aquela criancinha viva dentro de mim. Com você, eu esqueço o resto. Eu esqueço tudo. Pois só você importa neste momento, só você sabe me fazer feliz.
Quantas vezes me senti pronta pra te meter a boca, dizer tudo o que me aflige. Mas é só você me chamar de ‘amore’ que nada mais me perturba. Quando me sinto a ponto de explodir, vêm você com a sua voz rouca, dizendo que me ama. Suplicando para que eu não desligue o telefone. É só ouvir a sua voz grossa, que minhas pernas cambaleiam. Sinto-me como uma histérica, trêmula, e sorridente. Só você me faz sorrir quenem uma idiota. Não há ninguém como você. Você é o único que consegue me fazer sentir essa dor no peito ao dizer-te adeus. O único que desperta um sorriso espontâneo, ao ver teu nome na tela do celular.
Eu te amo, eu não sei outro jeito de dizer-te isso. Eu te amo, simples, e profundamente. Tu és tudo pra mim.
Nossa amor, eu sei muito bem o que tu ta passando,de verdade.
ResponderExcluirQuando a gente ama realmente e não tem a pessoa amada ao seu lado,de carne e osso bate esse tipo de pensamento,comigo foi assim também.
Essas vontades de se auto machucar talvez seje normal entre as pessoas, ou talvez não.Eu conheço poucas pessoas que dizem isso,tão abertamente.Eu sei que eu nao ninguem pra vim no teu blog e dizer o que voce deve ou nao deve fazer, mas quer um conselho ? não deixe esse sentimento de se auto machucar te dominar, porque quando tu faz uma vez, tu faz outra,e nãp adianta dizer eu vou parar, deu, tu não consegue, e a cada vez mais tu fica dependete dessa vontade.Isso é um vicio, horrivel, que eu carrego faz 1 ano, e sim, no começo aliviava a dor, a agonia dentro de mim, mas depois iso se tornou tão essencial pra mim, que eu quase acabei com a minha vida.
eu sei. tem dias qe parece qe só a dor física é capaz de acalmar a dor externa. tem dias, qe me arranho inteira, mas não tem jeito de acalmar a dor.
ResponderExcluirfoi por essa razão qe cortei minhas unhas. a vontade de cortar meus pulsos, as vezes chega a niveis extremos. mas eu procuro fugir. e tem dado certo. já faz alguns dias qe não me arranho, nem faço nada contra o meu ser.
obrigado mesmo pelo conselho. as vezes é necessário alguem de fora, pra dizer o qe sente. isso ajuda um monte.
:D