Ano passado, escrevi um textinho sobre o dia de finados, que casualmente, é no dia 2 de Novembro (dia em que nos encontramos). Obviamente, para ninguém é uma data feliz hoje, mas eu não quero falar de como me sinto mal por ter que visitar túmulos todos os anos. Túmulos os quais, guardam o corpo daqueles que me fizeram tão felizes em algum momento. Não, não vou falar disso.
Em vez do assunto propício, vou falar sobre algo que normalmente, as pessoas deixam para falar no dia 12 de Junho, e não no dia dos finados.
Hoje, como sempre, a aula foi um saco. Os ponteiros do relógio custavam a girar, e completar o minuto necessário para que nos liberassem para a nosso libertação temporária. Quando este, enfim resolveu colaborar, sai da sala, obrigando minhas pernas a caminharem mais do que elas podiam, para poder enxergar um par de olhos verdes.
Logo que vi meu objeto de caça, zanzando pelo pátio, todo o resto da escola sumiu. Todos. Meus amigos que estavam ao meu lado, os manés que rodeiam o pátio, tudo foi ficando distante a cada passo que eu dava em direção ao meu par de olhos verdes favoritos. Sentindo a pele dele, tocando a minha gentilmente, me fez perder os sentidos, a razão, e me vi sedenta por seus lábios.
Em parte, eu sabia que só poderia ter um beijo, a alguns olhares rápidos, até que ele saísse do meu campo de visão.
Vê-lo longe.
Este foi o primeiro recreio em tempos que eu tenho de procurar outra companhia, e isso me deixou meio... desnorteada.
Me senti tão perdida, que foi quando me dei conta, que ele é o meu norte. Ele me dá a segurança que eu preciso, e eu não consigo mais me sentir feliz sozinha, sem ele.
Os dois últimos períodos foram maçantes, e eu já não esperava tão avidamente pelo ponteiro. Podia até ser esquecida ali, pois sabia que quando aquilo terminasse, me veria em uma busca frenética pelos únicos cabelos cacheados que me confortam.
Até saber, que eu não os encontrei.
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